quinta-feira, 24 de julho de 2008

Entre pensamentos e ações.

Soprou um novo momento. Não um começo. Apenas mais um dia em que abri os olhos para viver, mas eu estava escassa de mim. Tudo estava lá, menos eu. Todos os móveis e eu em lugar nenhum. O tempo foge - como fogem os pássaros dos predadores. Voam rápidos.

Quero paz.

Quero cores novas.

Embora tudo continue como está.

Menos eu. Eu não estava lá.

Eu não existia.

O céu estava com cara de domingo: limpo e com algumas afastadas nuvens sem sardas.

Eu, estava ofegante. Andava meio depressa.

Cheguei ao meio do jardim e parei. Olhei o céu naquela imensidão.

Afundei os joelhos na terra fofa e usei minhas mãos de apoio.

Sentia a terra pulsando em meus dedos. Estava viva, úmida, com o cheiro da chuva.

Eu tremia e uma lágrima brincou pela minha face e despencou, como se despencam os suicidas das pontes.

Era solidão.

A porta bateu. Respirei longamente duas vezes seguidas. A primeira foi dor. A segunda, alívio.

Então eu joguei as fotos pela janela. E cortei os botões azuis das rosas.

Não existia mais nada.

Não existia você. Não existia os móveis.

Tudo saiu do lugar e novas cores amanheceram.

Eu estava lá, finalmente.

Viva. A vontade de existir pulsava no meu sangue.

Finalmente eu me sentia.

E como era bom me sentir.

Um sorriso agora.

Era liberdade.

Eu a sentia nas minhas veias. Uma liberdade com um toque de solidão, mas não importava. Eu me pertencia, eu era livre.

Nesse momento, a terra passou a sentir minha vivacidade.

Estava viva, morna e com cheiro de liberdade.

quarta-feira, 9 de julho de 2008



Viver.dói.,também!.





segunda-feira, 7 de julho de 2008


Um mosaico!

de

p e -

d a -

ç os


coloridos.


Cada pedaço tem um céu.
Cada céu um sentimento.
Cada sentimento com um pouco de cor.
Cada cor uma aquarela de esperança.

Pintam-se os quadros em esperança.
As formas se contornam aos poucos.
Quando cada personagem conhece um pouco do outro neles mesmos.
Um pouco de mim em você e um pouco de você em mim.

E as surrealidades - que muitos vêem - estão apenas na vivência individual.
Em outras dimensões, quem sabe, não passam de realidades normais.

Quem sabe, sabe?
Ninguém viu... Ninguém viu.

Está além do que podemos traçar.
Objetos abstratos quase inaudíveis na redoma em que viveis,
Decifrados apenas pelos que hedonizam.

Eis o segredo: S E N T I R !


sexta-feira, 30 de maio de 2008

Entre monstros e contos...

Ficar no escuro não é tão desagradável quanto eu achava há um tempo. É, creio que cresci! Pena ter perdido parte da inocência nesse período. No entanto, alguns fantasmas sempre permanecem; por mais que sumam por um tempo, eles voltam. Algumas coisas nunca mudam. Nunca mesmo.

Ultimamente correr para encontrar o sol virou hobbie, alguma coisa tem que ficar quente. Não que exista um pedaço de gelo, há um (r)esfriamento de lágrimas não caídas. Passam a fazer parte dessa realidade outras ilusões.

As especulações sobre qualquer coisa têm incomodado tanto que me pergunto se tudo vale à pena mesmo. Existem coisas que ninguém merece ouvir, outras que nunca serão ditas ou subentendidas. Pequenos fantasmas continuam criando propensões a catástrofes.

É... Algumas coisas nunca mudam!

Dentro de você, quantos vultos existem?

A madrugada não é mais tão apreciada como antes. Há outros vícios agora. Algumas músicas continuam fazendo falta e uma parcela de pessoas foram embora. Eu continuo inspirando a vida entre o que não faz sentido e as significações. Um sono interrompido. Porém, nem tudo é assombração. No decorrer de incontáveis minutos, descobre-se que algumas assombrações eram sombras de um objeto qualquer. O medo se esvai.

A cabeça tem importunado mais esses dias. Feridas que não eram para existir acabam exteriorizando coisas que pensava que se extinguiram. Expirando a vida em um sono sem poder dormir. Outras assombrações já não são puramente sombras. Não se pode fugir de especificidades.

Não existe esconderijo eficaz quando sua paz é ameaçada constantemente. Não tem acordar só você, uma brisa e um pensamento bom voando.

Às vezes, eu só quero poder respirar, apenas tudo isso.

Dê-me um pouco de tempo, ok?


Just a little time... for my breath.


Ps: Choveu um pouco hoje. O tempo estava meio oscilante. Ora nublado ora sol. E assim demarco meu dia. Prefiro lembrá-lo pelo céu que a cor fez do que pelas datas que compõem as horas. Uma pequena mania, só isso.




Catherine Menon*, memórias de fantasma.



Dans l’avenir et lê passé.

____________

* Catherine Menon é uma personagem criada por mim para uma história que ainda não saiu da minha cabeça. Contudo ela já se faz presente em alguns contos meus.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Formas de amor.

Anacronismo amoroso

Porquanto houver luz

Na claridade de [alg]um[s] sorriso[s].

Na pintura de dois semblantes multi-coloridos.

Um amor meio-bossa-nova, meio-velha-guarda

Pintado com um blues de negritude

e as passadas de um jazz passado.

Era amor. Um amor pretérito que pré-extinguido

Não era acabado, mas extinto.

Sem preconceito.

Sem pré-conceitos. Sem idéias

pré-concebidas.

Vanguarda sem linearidade

Nova tendência esse amor

meio-velha-guarda meio-bossa-nova!

Denotação de fervor

Conduta nova

Contemporâneo quase não conhecido, esse tal amor.




...

"Um pouco de calor em noites frias
E sonhos em dias de insônia.
Cantarei as melodias dos seus passos
Desenharei o barulho do teu sorriso
Velarei pelos piscares de olhos
Teus olhos. Meus olhos.
Olhos nossos, tão juntos, tão amados...
Tão velados..."



Um tilintar na memória

~> Foi assim no primeiro instante

A primeira valsa

O primeiro beijo...

O primeiro abraço ficou,

A saudade voou como borboleta nova

A valsa acabou,

O beijo passou.

O vestido coloridamente pintado

Desbotou com o tempo.

As traças fizeram um bom trabalho também.

Tirei do baú as lembranças.

Joguei fora os retratos.

Enfim, aquilo dentro do peito

Que aconteceu no primeiro instante

Não passou

Não voou

Não desbotou

Ficou.

Depois que você se foi, eu fiquei,

Você levou o tocar

Eu fiquei com o sentir.

E não é tão agradável assim.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Enantiose.

Eu poderia ter gostado de você. Poderia ter experimentando sensações novas com essa probabilidade. Entretanto, quando a possibilidade do sentimento amanheceu, começou formar para chover e a ventania, que antecede a chuva, varreu para longe de mim o gostar.
Contudo, o que mais desafina a canção que um dia poderia ter sido nossa, é a indecisão.

Você é tão indeciso quanto um bêbado na hora de atravessar a rua.

O tempo escorre enquanto o bêbado fica analisando o melhor momento de sentir o cheiro das pegadas sendo deixadas para trás. E o que é mais desgastante entre o período da indecisão e o som dos primeiros passos, é que talvez o que esteja no outro lado da rua não mais vai estar quando o bêbado chegar.
Eu não gosto de você. Assim, não gosto. Talvez eu goste de outro alguém. Mas de você eu não gosto. Te vejo trancado do lado de dentro, porque o medo que você tem de ficar preso do lado de fora é maior. Bom, caso isso aconteça, vou te lembrar que bem na esquina existe um chaveiro, caso você precise. E, se por um acaso você topar com o bêbado, verá que os espelhos formarão entre si um ângulo e as milhares de imagens compostas te deixarão tonto. Nesse momento, recomendo que você vá para casa tratar da ressaca.

Por fim, a ficha caiu, mas a ligação há muito tempo havia sido cortada.

Enquanto você estiver andando para casa desprovido de profundidade, eu estarei imersa em alguma sagacidade. À medida que você estiver na sua superficialidade, eu estarei mergulhada na plenitude de querer beijos em poesia, abraços em prosa e o silêncio literário das bocas.
Entre as gigantes passadas que nos separam, algum resquício de memória mostra a pequenez efêmera de um passado que nunca nos pertenceu. Quando o tempo das lembranças chegarem, talvez você não precise mais curar sua ressaca e já ande com uma chave no bolso e eu, com certeza, estarei experimentando alguma asa e já tenha voado para mais longe de ti do que você de mim.

No final, quase antônimos: você que nunca gostou de mim e eu que quase gostei de você.

sábado, 22 de março de 2008

Metamorfose regressiva.

Aquela janela de madeira velha

Torturada por lembranças de olhares

Palavras de um adeus

E pela tua imagem dolosa que acabo de ver passar

Foi marcada pelo transformismo do teu semblante:

Uma cor descolorida na tua pele;

Olhos desbotados de existência

E a memória de que um dia alguém foi.

Aquele perfume adocicado

Substituído pelo cheiro de cigarro

E o emblema sereno

Que outrora fora seu sorriso

Foi impregnado de fumaça.



Sorrateiramente demudada em restos.



E a recompensa de tanto desgasto

É a solidão que te acomete

E a paranóia de vossa mente

Teus brinquedos de devaneios translúcidos

Que afirmava ser salvação

Tornou motivo da tua morte lenta.

E a ti sobrou o nada:

Subjugada ao menosprezo

Das tuas futuras

Cinzas decrépitas

As quais

A terra rejeitará

Por tamanha

P O D R I D Ã O