Viver.dói.,também!.

** Guardando pétalas de rosas dentro de um caderno virtual.

Um mosaico!
de
p e -
d a -
ç os
coloridos.
Cada pedaço tem um céu.
Cada céu um sentimento.
Cada sentimento com um pouco de cor.
Cada cor uma aquarela de esperança.
Pintam-se os quadros em esperança.
As formas se contornam aos poucos.
Quando cada personagem conhece um pouco do outro neles mesmos.
Um pouco de mim em você e um pouco de você em mim.
E as surrealidades - que muitos vêem - estão apenas na vivência individual.
Em outras dimensões, quem sabe, não passam de realidades normais.
Quem sabe, sabe?
Ninguém viu... Ninguém viu.
Está além do que podemos traçar.
Objetos abstratos quase inaudíveis na redoma em que viveis,
Decifrados apenas pelos que hedonizam.
Eis o segredo: S E N T I R !
Ficar no escuro não é tão desagradável quanto eu achava há um tempo. É, creio que cresci! Pena ter perdido parte da inocência nesse período. No entanto, alguns fantasmas sempre permanecem; por mais que sumam por um tempo, eles voltam. Algumas coisas nunca mudam. Nunca mesmo.
Ultimamente correr para encontrar o sol virou hobbie, alguma coisa tem que ficar quente. Não que exista um pedaço de gelo, há um (r)esfriamento de lágrimas não caídas. Passam a fazer parte dessa realidade outras ilusões.
As especulações sobre qualquer coisa têm incomodado tanto que me pergunto se tudo vale à pena mesmo. Existem coisas que ninguém merece ouvir, outras que nunca serão ditas ou subentendidas. Pequenos fantasmas continuam criando propensões a catástrofes.
É... Algumas coisas nunca mudam!
Dentro de você, quantos vultos existem?
A madrugada não é mais tão apreciada como antes. Há outros vícios agora. Algumas músicas continuam fazendo falta e uma parcela de pessoas foram embora. Eu continuo inspirando a vida entre o que não faz sentido e as significações. Um sono interrompido. Porém, nem tudo é assombração. No decorrer de incontáveis minutos, descobre-se que algumas assombrações eram sombras de um objeto qualquer. O medo se esvai.
A cabeça tem importunado mais esses dias. Feridas que não eram para existir acabam exteriorizando coisas que pensava que se extinguiram. Expirando a vida em um sono sem poder dormir. Outras assombrações já não são puramente sombras. Não se pode fugir de especificidades.
Não existe esconderijo eficaz quando sua paz é ameaçada constantemente. Não tem acordar só você, uma brisa e um pensamento bom voando.
Às vezes, eu só quero poder respirar, apenas tudo isso.
Dê-me um pouco de tempo, ok?
Just a little time... for my breath.
Ps: Choveu um pouco hoje. O tempo estava meio oscilante. Ora nublado ora sol. E assim demarco meu dia. Prefiro lembrá-lo pelo céu que a cor fez do que pelas datas que compõem as horas. Uma pequena mania, só isso.
Catherine Menon*, memórias de fantasma.
Dans l’avenir et lê passé.
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* Catherine Menon é uma personagem criada por mim para uma história que ainda não saiu da minha cabeça. Contudo ela já se faz presente em alguns contos meus.
Anacronismo amoroso
Porquanto houver luz
Na claridade de [alg]um[s] sorriso[s].
Na pintura de dois semblantes multi-coloridos.
Um amor meio-bossa-nova, meio-velha-guarda
Pintado com um blues de negritude
e as passadas de um jazz passado.
Era amor. Um amor pretérito que pré-extinguido
Não era acabado, mas extinto.
Sem preconceito.
Sem pré-conceitos. Sem idéias
pré-concebidas.
Vanguarda sem linearidade
Nova tendência esse amor
meio-velha-guarda meio-bossa-nova!
Denotação de fervor
Conduta nova
Contemporâneo quase não conhecido, esse tal amor.
...
"Um pouco de calor em noites frias
E sonhos em dias de insônia.
Cantarei as melodias dos seus passos
Desenharei o barulho do teu sorriso
Velarei pelos piscares de olhos
Teus olhos. Meus olhos.
Olhos nossos, tão juntos, tão amados...
Tão velados..."
Um tilintar na memória
~> Foi assim no primeiro instante
A primeira valsa
O primeiro beijo...
O primeiro abraço ficou,
A saudade voou como borboleta nova
A valsa acabou,
O beijo passou.
O vestido coloridamente pintado
Desbotou com o tempo.
As traças fizeram um bom trabalho também.
Tirei do baú as lembranças.
Joguei fora os retratos.
Enfim, aquilo dentro do peito
Que aconteceu no primeiro instante
Não passou
Não voou
Não desbotou
Ficou.
Depois que você se foi, eu fiquei,
Você levou o tocar
Eu fiquei com o sentir.
E não é tão agradável assim.
Aquela janela de madeira velha
Torturada por lembranças de olhares
Palavras de um adeus
E pela tua imagem dolosa que acabo de ver passar
Foi marcada pelo transformismo do teu semblante:
Uma cor descolorida na tua pele;
Olhos desbotados de existência
E a memória de que um dia alguém foi.
Aquele perfume adocicado
Substituído pelo cheiro de cigarro
E o emblema sereno
Que outrora fora seu sorriso
Foi impregnado de fumaça.
Sorrateiramente demudada em restos.
E a recompensa de tanto desgasto
É a solidão que te acomete
E a paranóia de vossa mente
Teus brinquedos de devaneios translúcidos
Que afirmava ser salvação
Tornou motivo da tua morte lenta.
E a ti sobrou o nada:
Subjugada ao menosprezo
Das tuas futuras
Cinzas decrépitas
As quais
A terra rejeitará
Por tamanha
P O D R I D Ã O
São alguns (muitos) dias sem te dar resposta para aquela sua carta, eu sei. Mas não foi por displicência. Na verdade, foi porque não queria responder assim naquele momento, estava tão extasiada que resolvi esperar as borboletas, os tigres e os dragões se acalmarem dentro de mim. É assim que as coisas ficaram depois que li aquela sua (não-última) carta.
Sabe, existem alguns sentimentos dentro de mim que eu não fazia idéia de que existiam, ou não existia e você os criou. O fato é que eu vivo tendo déjà vus emocionais. Parece difícil de acreditar né? Contudo, todos os sentimentos meus que são seus, parecem que há muito tempo estavam guardados e só foi você aparecer para me ensinar o lugar onde eles estavam. É confuso e eu não consigo entender e às vezes, eu nem quero. É tão bom sentir que deixo apenas assim... Na abstração de um plano alfa só meu.
Coisas só nossas. Lembrei disso agora. Das coisas só nossas. Coisas que não comento com ninguém, porque só quero pra mim. Músicas, palavras, frases, brincadeiras, a sintonia na hora de pensar. Ah, e as risadas, claro! Uma das coisas que mais gosto são as que deixamos subentendidas, elas costumam causar um furor a mais nos dragões, tigres e borboletas dentro mim. Chega a ser engraçado e sim, eu acabo rindo de mim.
E os sinais! Sim, sim, os sinais. Os sinais que acabamos deixando para o outro. Algumas coisas codificadas. Afinal, para quê dividir com os outros o que só diz respeito a nós? (Vai aí mais um sinal). E os segredos não tão secretos que ficam codificados por aí.
[...]
Saudades de você. Essa teimosa saudade que nunca passa e parece que sempre aumenta. Essa saudade que me faz te procurar em toda música que eu escuto e nos sonhos mais malucos. Essa saudade que aperta, mas não é ruim de sentir.
[...]
Escrevi demais. Escrevi coisas que estão longe de serem explicadas tão bem, senão sentidas. Usei a palavra sentir e suas variações demais também. Entretanto, não tinha uma palavra que se encaixasse melhor... Você é isso: um sentir quase palpável. É, esquece o que escrevi acima e só sente, é melhor. No mais, só quero saber como vai você.
Beijos, estou com saudades (como de costume).
Se cuida.
Sem assinatura.
